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Taxa de Esforço: O Número que Pode Fazer ou Quebrar o Teu Pedido de Crédito (e Poucos Sabem Disso!)

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O que é afinal a taxa de esforço?

Se já pensaste em pedir um crédito — seja pessoal, habitação ou automóvel — há um número que pode decidir tudo: a tua taxa de esforço.

Este indicador, muitas vezes esquecido, é o fator-chave que os bancos usam para avaliar se consegues pagar o empréstimo. Ignorá-lo pode custar-te um “não” no momento mais importante.

De forma simples, a taxa de esforço representa a percentagem do teu rendimento mensal que é usada para pagar créditos e encargos financeiros. É a maneira que o banco tem de perceber se estás endividado — e até que ponto.

Porque é que é tão importante saber o valor exato?

Saber a tua taxa de esforço não é apenas uma formalidade. É o teu passaporte para a aprovação de crédito.

Quando ultrapassas o limite considerado saudável — normalmente entre 30% e 40% — as instituições financeiras interpretam que estás a correr riscos.

Acima de 30%, o banco pode hesitar.
Acima de 40%, o teu pedido de crédito pode ser recusado.

E, ainda que o pedido seja aprovado, poderás pagar taxas de juro mais altas. Em resumo, saber o valor exato é essencial para não comprometer o teu equilíbrio financeiro.

Como se calcula a taxa de esforço (passo a passo simples)

Calcular a taxa de esforço é mais fácil do que parece. Basta seguires esta fórmula:

Taxa de esforço = (Encargos com créditos / Rendimento líquido mensal) × 100

Exemplo prático:

  • Rendimento líquido mensal: 1.800 €
  • Prestações mensais de créditos: 500 €

Taxa de esforço = (500 / 1.800) × 100 = 27,7%

Neste caso, estás dentro do limite ideal.

Mas imagina que tinhas mais um crédito automóvel e uma compra a prestações que somam mais 200 € por mês.
A conta seria:

(700 / 1.800) × 100 = 38,8%

Resultado: o banco consideraria que estás quase no limite do aceitável.

O que os bancos realmente analisam

Ao contrário do que muitos pensam, os bancos não olham apenas para o valor total da taxa de esforço. Eles analisam também a tua estabilidade financeira e hábitos de pagamento.

Ou seja:

  • Se trabalhas há muito tempo na mesma empresa.
  • Se tens rendimentos variáveis ou fixos.
  • Se tens histórico de crédito positivo, sem atrasos.

Mesmo que a tua taxa de esforço esteja próxima de 40%, um histórico de pagamentos exemplar pode ajudar-te a conquistar a confiança do banco.

O impacto de ultrapassar os 30%

Muitos subestimam este limite, mas ultrapassar os 30% pode ser o suficiente para travar os teus planos.

O motivo é simples: o banco assume que o teu orçamento mensal pode ficar demasiado apertado, e qualquer imprevisto — uma despesa médica, uma avaria no carro ou um aumento das taxas de juro — pode comprometer os pagamentos.

Por isso, o ideal é manter a taxa de esforço abaixo dos 30%. Assim, mostras ao banco que tens margem de segurança e gestão financeira responsável.

Como reduzir a tua taxa de esforço (e melhorar a aprovação do crédito)

Se descobriste que estás acima do limite, não entres em pânico. Há soluções práticas que podem baixar rapidamente a tua taxa de esforço:

  1. Consolida os teus créditos.
    Junta todas as dívidas num só crédito com uma prestação única e taxa mais baixa.
  2. Negocia as tuas taxas de juro.
    Muitas vezes, basta renegociar com o banco para reduzir as prestações.
  3. Aumenta o teu rendimento.
    Se tiveres um segundo rendimento ou rendimento extra, o valor da taxa de esforço baixa automaticamente.
  4. Evita novos créditos.
    Cada novo pedido aumenta o teu nível de endividamento — e afasta-te da aprovação que procuras.

Erro comum: esquecer os encargos “escondidos”

Muitas pessoas calculam a taxa de esforço e esquecem-se de incluir despesas que também contam, como:

  • Cartões de crédito.
  • Compras a prestações.
  • Linhas de crédito pessoais.

Esses encargos podem parecer pequenos, mas somam-se rapidamente. E o banco vai considerá-los todos.

Antes de pedires crédito, faz uma lista com todas as tuas prestações e encargos fixos. Assim, evitas surpresas.

O que é uma taxa de esforço “ideal”?

Os especialistas em finanças pessoais e os bancos consideram que:

  • Até 30%: Situação ideal. Tens margem para imprevistos.
  • Entre 30% e 40%: Zona de atenção. Pode ser aprovado, mas o risco é maior.
  • Acima de 40%: Zona de perigo. O pedido será provavelmente recusado.

No entanto, há exceções. Se tiveres rendimentos elevados ou outros apoios financeiros, o banco pode flexibilizar a análise. Ainda assim, quanto mais baixa for a tua taxa de esforço, mais segura será a tua situação financeira.

Exemplo realista: o caso da Ana e do João

A Ana e o João ganham juntos 2.500 € líquidos por mês. Têm um crédito habitação de 600 € e um automóvel com prestação de 250 €.

(850 / 2.500) × 100 = 34% de taxa de esforço.

Querem pedir um novo crédito pessoal para fazer obras em casa, mas o banco avisa que estão acima do limite ideal.

Depois de pesquisarem, decidem consolidar os créditos num só e passam a pagar 650 € mensais.

(650 / 2.500) × 100 = 26% de taxa de esforço.

Resultado: o pedido é aprovado, com uma taxa de juro mais baixa e um orçamento mensal mais equilibrado.

Porque deve calcular a sua taxa antes de pedir crédito

Calcular a tua taxa de esforço antes de pedires crédito é uma forma inteligente de controlar as tuas finanças.

Permite-te:

  • Saber o teu limite real de endividamento.
  • Evitar surpresas desagradáveis no processo de aprovação.
  • Demonstrar ao banco que és um cliente responsável.

Antes de pedires crédito, simula a tua taxa de esforço e testa diferentes cenários. Podes descobrir que com um ligeiro ajuste — seja no valor do crédito ou no prazo de pagamento — consegues uma aprovação imediata.

A taxa de esforço é o espelho da tua saúde financeira

A taxa de esforço é muito mais do que um número. É o reflexo da tua estabilidade e capacidade de gestão. Saber o teu valor exato dá-te controlo, segurança e poder de negociação.

Portanto, antes de pedires crédito, faz as contas e garante que estás dentro dos 30%. Assim, aumentas as tuas hipóteses de aprovação e evitas comprometer o teu futuro financeiro.

A informação é o teu maior aliado. Se queres fazer escolhas financeiras inteligentes, começa por conhecer o teu esforço real — e transforma-o num trampolim para os teus objetivos.

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